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Sexta-feira, 19 de Maio de 2017 - 05h22 - Atualizado em: Sexta-feira, 19 de Maio de 2017
Para Janot, áudio mostra que Temer deu anuência para propina a Cunha
Após a divulgação da gravação, Temer, que à tarde havia feito pronunciamento rejeitando a possibilidade renunciar, divulgou nota no início da noite sobre o conteúdo do diálogo
Foto: Marcos Corrêa / Presidência da República/Divulgação

Ao ouvir de Joesley Batista, dono da JBS, que ele "zerou tudo, o que tinha de alguma pendência" na relação com o ex-presidente da Câmara e deputado cassado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), o presidente Michel Temer teria dado anuência ao pagamento de propina pelo silêncio do ex-parlamentar. Essa é a interpretação do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, manifestada em documento enviado ao Supremo Tribunal Federal (STF).

No pedido para abertura de inquérito contra Temer, enviado ao relator da Lava-Jato na Corte, ministro Edson Fachin, Janot fez questão de comentar trechos da conversa gravada por Joesley com o presidente no Palácio do Jaburu, entregue à força-tarefa para acordo de delação premiada. Segundo o procurador, quando Joesley menciona que "liquidou tudo" junto a Cunha, está se referindo ao pagamento de propina, o que o teria deixado "de bem com o Eduardo". Foi a essa afirmação que o presidente respondeu:

— Tem que manter isso aí, viu?

— Todo mês, também — completou Joesley.

"Nesse contexto, é importante registrar que Michel Temer, a partir dos 10min50s (de gravação — confira a íntegra no player abaixo), fala que perdeu contato com (o ex-ministro) Geddel (Vieira Lima) em razão das investigações, demonstra preocupação, afirmando que "é, tem que tomar cuidado. É complicado". Logo em seguida, a partir de 11min30s, os interlocutores tratam do ex-deputado Eduardo Cunha, que se encontra preso. Joesley afirma que tem procurado manter boa relação com o ex-parlamentar, mesmo após sua prisão. Temer confirma a necessidade dessa boa relação: 'tem que manter isso, viu'. Joesley fala que segue pagando propina 'todo mês, também' ao Eduardo Cunha, acerca da qual há a anuência do presidente da República", escreveu Janot no pedido de inquérito.

"No contexto dos diálogos fica claro que o interesse em manter os pagamentos de propina para Eduardo Cunha está relacionado à possibilidade de Cunha, caso seja contrariado, possa vir a revelar fatos que comprometam o grupo", completa o procurador.

Em outro trecho da conversa, o presidente também ouviu Joesley dizer que tinha influência sobre dois juízes e um procurador para se proteger da Lava-Jato.

Após a divulgação da gravação, Temer, que à tarde havia feito pronunciamento rejeitando a possibilidade renunciar, divulgou nota no início da noite sobre o conteúdo do diálogo. Segundo o texto, "Temer não acreditou na veracidade das declarações. O empresário estava sendo objeto de inquérito e por isso parecia contar vantagem".


Fonte: Diário Catarinense


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